domingo, 12 de outubro de 2008

Ainda as palavras

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

As palavras dele.
Um dos meus poemas de sempre.

2 comentários:

manuel marques disse...

O poeta não deve crer nos anjos, mas nas palavras que os criam .Assim fazia Alexandre O'Neill;

PedrasTuas disse...

Acha?